segunda-feira, 19 de julho de 2010

Estados de Absorção, Erudição e Bodhisattva

BS, edição Nº 2043

Como dito anteriormente, cada um dos Dez Mundos (Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranquilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda) contém em si os outros nove estados da vida.
 
Este princípio expressa a realidade da vida de que nenhuma das dez condições é estável, mas que mudam de momento a momento.
A “possessão mútua” explica a relação dos dez mundos, como cada um deles muda da inatividade para a manifestação ativa e vice-versa.
 
Em um discurso, o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, explica:
Tanto a função do ‘demônio’ como a função do ‘Buda’ existem na nossa vida.
 
Por fim, essa batalha significa lutar contra nós próprios. Seja em nossa prática budista, em meios às atividades na sociedade ou no desenvolvimento histórico, político e econômico, tudo se reduz essencialmente à luta entre as forças positivas e negativas, pois todas essas atividades são manifestações da Lei Mística, ou myoho — myo representando o mundo do estado de Buda, e ho, os nove mundos.
 
A Lei Mística incorpora a possessão mútua dos Dez Estados — a verdade de que o estado de Buda contém os nove mundos e que os nove mundos contêm o estado de Buda. (Brasil Seikyo, edição no 1.438, 15 de novembro de 1997, pág. 3.)
 
Ou seja, todos os fenômenos do Universo são funções ou manifestações do princípio da possessão mútua dos Dez Estados, do princípio dos cem mundos e mil fatores, e do princípio de um único momento da vida que abarca os três mil mundos (itinen sanzen).
 
Tudo reflete a causalidade dos Dez Estados. Em nosso íntimo, há uma constante e eterna luta entre o bem e o mal. Um drama de um desesperado cabo-de-guerra entre a felicidade e a miséria, entre o progresso e o declínio.
 
A vida é uma sucessão de eventos. Existem dias alegres, outros tristes. Às vezes, acontecem coisas desagradáveis. Mas conforme observa o presidente Ikeda, é isso o que torna a vida tão interessante. Os dramas por que passamos são uma parte essencial do ser humano.
 
Se na vida não houvesse sofrimento, nenhuma mudança nem dramas, se nada de inesperado acontecesse, seríamos simplesmente robôs, vazios de sentimento. Seria insuportavelmente monótono e tedioso.
 
“O sofrimento é inevitável. Por isso, é preciso estar preparado para as adversidades e ter fortaleza interior para superar a angústia e a preocupação.
 
É preciso fazer brilhar na própria vida a ‘luz serena da iluminação’, ou seja, o estado de Buda. Assim, os desejos mundanos se transformarão em iluminação e pode-se aproveitar tudo o que acontece na vida como se fosse um combustível para alimentar a própria vida.” (Ibidem, edição no 1.837, 25 de março de 2006, pág. B2.)
 
A visão positiva da vida ensinada no Budismo Nitiren nos possibilita a desenvolver uma forte personalidade para que possamos atuar com confiança e equilíbrio diante de qualquer vicissitude, tendo uma existência plena e satisfatória.

Estado de Absorção (Engaku): ­

Significa o despertar por si próprio. A pessoa nesse estado compreende algumas verdades, independentemente dos ensinos budistas, e as usa principalmente para beneficio próprio.

O Buda Nitiren Daishonin afirma: “O fato de todas as coisas no mundo serem transitórias é perfeitamente claro para nós. Não seria porque os mundos dos dois veículos estão presentes no mundo da Tranquilidade?”.

Os dois veículos (estados de Absorção e Erudição) são os que a pessoa desperta para o fato de que a vida é transitória.

E ao refletir baseando-se nessa verdade, a pessoa liberta-se de ser controlada pelas condições mutáveis e pelos desejos inatos como aqueles dos seis maus caminhos, e estabelece uma certa independência. Entretanto, o despertar das pessoas nos dois veículos é dirigido somente para sua própria salvação.

Estado de Bodhisattva (Bosatsu):

Bodhi significa sabedoria do Buda, e sattva, seres sensíveis. Ou seja, seres sensíveis com sabedoria de Buda.

O estado de Bodhisattva é caracterizado pelas ações altruísticas.

O Buda Nitiren Daishonin afirma: “Aqueles no estado de Bodhisattva vivem entre os mortais comuns dos seis caminhos e humilham-se respeitando os outros. Os bodhisattvas atraem as maldades para si e dão benefícios aos outros”.

Todos os bodhisattvas fazem quatro grandes juramentos quando tentam pela primeira vez a prática de bodhisattva para atingir a iluminação.

1. transportar todas as pessoas através do mar de sofrimento para a distante praia da iluminação;
2.  erradicar todos os desejos mundanos (não ser dominados por eles);
3.  dominar todos os ensinos budistas (compreender com a vida os ensinamentos);
4. atingir a suprema iluminação.

Estado de Buda (Butsu):

É a condição de liberdade perfeita e absoluta, o supremo estado em que se compreende o Caminho do Meio. É a condição de felicidade absoluta que nada pode corromper.

O Buda compreende a lei da causalidade permeando o passado, o presente e o futuro e a eternidade da vida agindo espontaneamente para o bem dos seus semelhantes.

Da mesma forma que nenhum estado de vida é estático, o estado de Buda é experimentado no decurso das contínuas atividades altruísticas diárias.

Portanto, não se deve considerá-lo como um objetivo máximo a ser atingido somente no final da vida, mas algo a ser alcançado todos os dias.

Os Dez Estados de Vida 
estão inerentes na vida de todas as pessoas.

No escrito “O Verdadeiro Objeto de Devoção”, o Buda Nitiren Daishonin afirma:

“Mesmo um frio vilão ama sua esposa e filhos. Ele também tem o estado de Bodhisattva dentro de sua vida.
O estado de Buda é o mais difícil de demonstrar, mas desde que os outros nove mundos na realidade existem como estados da vida humana, o senhor deve ter fé de que o estado de Buda também existe dentro da sua vida”.